As causas das tonturas são as mais diversas possíveis. E quando um indivíduo sente “tontura” ele também apresenta desequilíbrio. É importante informar como é interessante a relação entre as vias visuais, as vias labirínticas e as vias somato sensoriais.
Há muito se fala na influência entre o fator visual nos pacientes com alterações do equilíbrio.

Introduçao

Para a manutenção do equilíbrio, a informação visual fornece dados sobre a posição e o movimento da cabeça em relação aos objetos em volta, e é uma fonte de referência para a percepção adequada da verticalidade. Além disso, desempenha um papel específico no controle postural, modificando a eficiência das respostas vestibulares e proprioceptivas.

Além da capacidade para reduzir a oscilação, a visão desempenha um papel específico no controle postural modificando as respostas vestibulares e proprioceptivas, como dito anteriormente. Por exemplo, um sujeito em pé em um ambiente visual que se move para direita se desloca ou balança em tal direção, já que o movimento do cenário se interpreta como um deslocamento próprio para a esquerda que exige um movimento de correção postural em direção contrária.

Portanto, se a informação visual e a vestibular proprioceptiva entram em conflito, domina o estímulo visual. Neste instante, a informação visual pode ser mal interpretada, já que isoladamente é insuficiente para interpretar e diferenciar entre o movimento dos objetos e o próprio movimento, como ocorre ao sentar-se dentro de um carro junto de outro que começa a se mover. Mas surpreendentemente, estes fenômenos não são semelhantes em todos os indivíduos.

Asch e Witkin, citados por Lopez e Fernandez (2004), encontraram que se podiam dividir os sujeitos normais em “dependentes de campo” e em “independentes de campo”, de acordo com a capacidade para reorientar-se a verticalidade levando em consideração o grau de inclinação do ambiente visual, para os primeiros , e o próprio grau de inclinação , para os independentes de campo. Aos dependentes de campo também se denominou “dependentes visuais”.

Este fato é especialmente relevante nos pacientes com um comprometimento vestibular bilateral que na fase aguda possuem uma sensibilidade especial a estimulação visual, porém, a medida que progride a compensação vestibular, se apoiam mais na informação proprioceptiva e aprendem a ignorar as informações visuais errôneas. Nos sujeitos dependentes visuais, essa transição pode não ocorrer e pode aparecer uma muito baixa tolerância as situações de conflito visual, o qual forma parte da síndrome de vertigem visual.
Este fenômeno de intolerância ao conflito visual é comum a várias síndromes, que além disso têm um caráter pseudoagorafóbico (“neurose da rua, s. do supermercado, s. de desorientação vestibular do motorista, a fobia espacial e a vertigem visual”). Pode-se dizer que são um subgrupo de pacientes com uma alteração vestibular parcialmente compensada ou crônica, nos quais a sintomatologia vestibular é específica do contexto no qual o indivíduo se desenvolve.

Dita especificidade situacional se relaciona com a estratégia de integração sensorial, em que a informação visual e somatosensorial completam a informação vestibular deficitária. São pacientes especialmente vulneráveis a informação sensorial inadequada ou deficiente e a irregularidade da superfície de suporte.

Dito isto, no estudo de Lopez e Fernandez (2004), eles objetivavam determinar em pacientes com vertigem, tontura ou instabilidade como interagia a informação visual sobre sua sintomatologia e conhecer o grau de incapacidade que isso produzia.

Foi realizado, então, um estudo com uma amostra de 200 pacientes vistos consecutivamente por apresentar qualquer tipo de doença vestibular manifestada por tontura, vertigem, instabilidade ou desequilíbrio. Participaram 41,5% de homens e 58,5% de mulheres. Em 78,5% dos pacientes foi possível identificar o lado da lesão. No momento da consulta foi perguntado aos pacientes sobre o sintoma principal e a situação clinica em que se encontravam naquele momento. Junto a isso foi passado a eles um questionário específico acerca da influência que tinha a informação visual sobre sua sintomatologia, tanto em situação basal (intercrise) como durante as crises e também foi pedido que respondessem o questionário DHI (dizziness handicap inventory).
Além disso, eles foram submetidos a exame clínico otoneurológico e testes vestibulares complementares, consistindo em prova calórica, testes rotatórios, posturografia dinâmica e posturografia dinâmica computadorizada. No estudo passou-se unicamente a analisar os aspectos relacionados com a clínica dos pacientes.

Primeiro: a influência que o estímulo visual tem – nos sintomas próprios da doença vestibular e – sua repercussão na situação entre as crises, se assim a doença evoluísse.  Segundo, o grau de incapacidade gerado- analisando 04 itens do DHI.

Influencia Visual sobre a sintomatologia principal % Influencia Visual entre as crises %
NÃO AFETAVA 77,5 IRRELEVANTE 53,5
AGRAVAVA 21 NÃO AFETAVA 26,5
AGRAVAVA 4
INDUZIA 7,5

Se observou a existência de comprometimento diferente segundo o tipo de doença que sofria o paciente.

Diagnósticos n Sintomas % Gravidade dos Sintomas %
D. de Meniere 60 Vertigem 65 Grave 6,5
Vertigem Posicional 45 Instabilidade 26,5 Moderado 63
Instabilidade 36 Tontura 6 Bem ou assintomatico 30,5
Vertigem espontânea Recorrente 29 Desequilíbrio 2
Neurinoma do Acústico 7
Vertigem Pós Traumática 6
Otosclerose 5
Neurite Vestibular 5
Fistula Perilinfàtica 4
Ototoxicidade 2
Agorafobia 1

Discussao:

A existência de sintomas vestibulares induzidos pela estimulação visual mais ou menos complexa é uma realidade. Se descreve entre pacientes que tenham sofrido algum episódio de vertigem no contexto de uma doença vestibular e que de maneira idiossincrásica, são dependentes visuais e como estratégia postural adquirida depois de neurectomia vestibular em pacientes com Doença de Meniere.

Em 11,5% dos pacientes os sintomas vestibulares são induzidos ou agravados pelo estimulo visual, e foram, segundo os pacientes, causados por exemplo em:

• Deambulação em lugares iluminados artificialmente em ambientes visualmente muito estruturados como em corredores de supermercados e grandes centros comerciais;

• A observação do tráfego rodoviário em movimento para ou a partir do paciente (enquanto dirige) e do campo periférico como durante a espera para atravessar um degrau de pedestres ou um transporte público;

• o movimento em escadas rolantes e

• a abertura / fechamento de portas automáticas, entre outras.

A contribuição da visão na manutenção da postura depende de uma série de características como:
• a iluminação,
• a distância entre o olho e o objeto,
• o contraste,
• o tamanho e a frequência espectral do objeto.

Em linhas gerais, pode-se considerar que a função estabilizadora da informação visual é baseada na capacidade que ela fornece para detectar o deslocamento das imagens na retina  devido ao movimento involuntário da cabeça em relação ao ambiente visual.

Rev Neurol. 16 a 30 de Setembro de 2004; 39 (6): 513-6.