Vivemos em um país de predominância jovem, entretanto, com o avanço da medicina e a conservação da saúde, a expectativa de vida está aumentando, contribuindo para uma vida mais longa e, conseqüentemente, para o aumento da população com idade avançada.

O processo de envelhecimento é global, deteriorativo e irreversível.  E dentre as alterações sensoriais que acompanham o processo de envelhecimento, a perda auditiva, conhecida como PRESBIACUSIA, é uma das mais incapacitantes.

A Presbiacusia, é um problema que atinge 63% dos idosos, e tem efeito adverso no estado funcional, na qualidade de vida, na função cognitiva e no bem-estar emocional, comportamental e social de seus portadores. Esta alteração diminui o contato social, gerando assim as alterações emocionais e sociais.

Idosos portadores de Presbiacusia experimentam uma diminuição da sensibilidade auditiva e uma redução na inteligibilidade de fala, o que vem a comprometer seriamente seu processo de comunicação verbal.

Além da limitação auditiva decorrente da deficiência auditiva adquirida, alguns problemas devem ser ressaltados, tais como:

  • a Incapacidade auditiva– relacionado à falta de habilidade para a percepção de fala em ambientes ruidosos, televisão, etc.
  • a Desvantagem auditiva (handicap)– refere-se aos aspectos não auditivos, os quais impedem o indivíduo de desempenhar adequadamente seu papel na sociedade.

Para diminuir tais limitações, é necessário a indicação, seleção, e adaptação de aparelho auditivo (AASI) conjuntamente a programas de REABILITAÇÃO AUDITIVA global, para ajudar o idoso portador de perda auditiva e também seus familiares a lidarem de forma positiva frente às dificuldades de comunicação, o que irá refletir na melhora da qualidade de vida, promoção de contatos sociais e diminuição do isolamento.

O preconceito que existe ante a deficiência auditiva bem como ao uso do aparelho auditivo pode ser devido à falta de conhecimento de seus benefícios e à dificuldade de adaptação ao aparelho auditivo. Isto reforça a necessidade da reeducação auditiva e do acompanhamento no processo de adaptação.

É importante ressaltar que a partir do momento que a deficiência auditiva é detectada é necessário iniciar a intervenção. O sucesso da reabilitação auditiva dependerá muito da dedicação do paciente e da colaboração e apoio da família.

É de suma importância introduzir o idoso com dificuldades auditivas em um programa de reabilitação auditiva, suprindo as dificuldades comunicativas encontradas quando esse faz uso somente do dispositivo para amplificar o som.

Devem fazer parte de um programa de Reabilitação Auditiva:

  • Aconselhamento;
  • Orientação para adaptação do aparelho auditivo;
  • Ajudar o idoso a manipular o ambiente a fim de favorecer a comunicação;
  • Ajudar o idoso a falar sobre sua perda auditiva às pessoas para que possam ajudá-lo;
  • Desenvolver habilidades compensatórias com o uso da audição residual e pistas visuais suplementares;
  • Participação da família ou amigo no programa.

Além disso, o trabalho de reabilitação é feito principalmente através do treino de detecção, discriminação, reconhecimento e compreensão dos estímulos sonoros, com o auxílio do AASI.

A Reabilitação Auditiva tem por objetivo desenvolver as habilidades auditivas não adquiridas ou adquiridas e depois perdidas pelo portador de deficiência auditiva. Ela é efetiva na redução do handicap auditivo em indivíduos idosos portadores de deficiência auditiva e deve ser incluída na rotina do audiologista como um recurso tão importante quanto a adaptação de dispositivos de amplificação sonora (Aparelho Auditivo).