A Sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST), cujo agente causador é o Treponema pallidum. É uma doença que ainda se constitui um problema de Saúde Pública no Distrito Federal e no Brasil, tanto pelo grande número de casos quanto pelas suas complicações. A OMS estima que a ocorrência de sífilis complique um milhão de gestações por ano em todo o mundo levando a mais de 300 mil mortes fetais e neonatais e colocando em risco de morte prematura mais de 200 mil crianças. Segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, houve um total de 200.253 casos de sífilis em gestantes notificados entre o ano de 2005 a junho de 2017, sendo que destes, 4,7% dos casos são residentes na Região Centro Oeste do Brasil. A taxa de detecção dos casos de sífilis na Região Centro Oeste (11,4%) ficou próxima a taxa do Brasil, com 12,4 casos de sífilis em gestantes/1.000 nascidos vivos. Segundo o boletim epidemiológico da Subsecretaria de Vigilância à Saúde / Secretaria de Saúde – DF (SVS/SES/DF) de agosto de 2018, no Distrito Federal, no período de 2012 a 2017 foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) 6.322 casos de sífilis adquirida;1.454 casos de sífilis em gestantes e 1.158 casos de sífilis congênita. No Brasil, nos últimos cinco anos, foi observado um aumento constante no número de casos de sífilis em gestantes, sífilis congênita e sífilis adquirida.

Nesse sentido, mostra-se importante a realização das ações preventivas e educativas de promoção à saúde e prevenção de IST junto à população, além da ampliação, na atenção primária em saúde, da oferta de diagnóstico precoce a fim de garantir tratamento oportuno e adequado.

A sífilis congênita é o resultado da transmissão do Treponema pallidum (bactéria) da corrente sanguínea da gestante infectada para a criança por via transplacentária ou, ocasionalmente, por contato direto com a lesão no momento do parto (transmissão vertical). Entre mulheres com sífilis precoce não tratada, 40% das gestações resultam em aborto espontâneo. Estima-se que, na ausência de tratamento eficaz, 11% das gestações resultarão em morte fetal a termo e 13%, em partos prematuros ou baixo peso ao nascer.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               A sífilis congênita é tradicionalmente dividida em estágios inicial e tardio, com base na apresentação dos sintomas iniciais antes ou após os 2 anos de idade. A maioria dos casos acontece porque a mãe não foi testada para sífilis durante o pré-natal ou porque recebeu tratamento não adequado para sífilis antes ou durante a gestação. Uma criança com sífilis congênita precoce pode ser sintomática ao nascimento, mas mais comumente se apresentará de forma tardia.

Os sintomas iniciais da sífilis congênita tardia podem se apresentar a partir dos 2 anos de idade ou até a sexta década de vida. A famosa tríade de Hutchinson que vinculava a PERDA AUDITIVA, os incisivos medianos superiores mal formados e a ceratite intersticial foi descrita como característica da sífilis congênita tardia no século XIX. Outras complicações podem ocorrer em decorrência da Sífilis Congênita: aborto espontâneo; parto prematuro; má-formação do feto; cegueira; deficiência mental; morte ao nascer entre outras.

A PERDA AUDITIVA observada na sífilis congênita tardia que se apresenta na infância é descrita como uma perda súbita, bilateral, simétrica e profunda e sem acompanhamento dos sintomas vestibulares. Por outro lado, a apresentação da Perda Auditiva em adultos com sífilis congênita tardia também é relatada como súbita, mas tipicamente assimétrica, flutuante, variável em progressão e frequentemente acompanhada de zumbido e vertigem. A diferenciação entre sífilis congênita tardia e sífilis adquirida em adultos pode ser difícil de determinar, pois Perda Auditiva Sensorioneural também é uma consequência clínica da sífilis adquirida.

Enfim, trata-se de uma doença que pode ser prevenida, sendo possível alcançar a eliminação da Sífilis Congênita por meio da implementação de estratégias efetivas de diagnóstico precoce e tratamento de sífilis nas gestantes e suas parcerias sexuais. Além disso, o risco de desfechos desfavoráveis à criança será mínimo se a gestante receber tratamento adequado e precoce durante a gestação.

 

 

 

Referências:

  1. Chau et al. International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology 73 (2009) 787–792
  2. Diretrizes para controle da sífilis congênita: manual de bolso / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST/Aids. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006.
  3. Boletim Epidemiológico. Sífilis. Subsecretaria de Vigilância à Saúde / Secretaria de Saúde – DF. Ano 7, nº 01. agosto de 2018.